The Stanley Parable é um jogo em primeira pessoa focado na narrativa, escolhas e exploração. É uma experiência curta, mas extremamente única e divertida.
Para quem ainda não jogou, fica o aviso: qualquer detalhe pode arruinar a experiência. Este é daqueles jogos em que quanto menos souberes, melhor será a tua experiência.
Ainda assim, para os mais curiosos, aqui fica a análise.
Desenvolvedora: Galactic Cafe (Original) / Crows Crows Crows (Ultra Deluxe)
Editora: Galactic Cafe / Crows Crows Crows
Género: Aventura, Narrativa Interativa
Plataformas: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series, Nintendo Switch
Lançamento: 2013 (original) / 2022 (Ultra Deluxe)
História
Stanley é um funcionário de escritório cuja única função é carregar em botões, seguindo ordens que surgem no seu monitor. A rotina repete-se todos os dias… até que, de repente, as ordens deixam de aparecer.
Tomamos controlo de Stanley e surge então o narrador, que começa a descrever cada passo que, supostamente, devemos seguir.
Seguimos as suas indicações até descobrirmos que os funcionários daquela empresa estavam a ser controlados, obedecendo sem questionar.
Mas há um detalhe curioso: mesmo quando Stanley deixa de receber ordens no computador, continua a obedecer, só que desta vez ao narrador.
E se decidirmos não obedecer?
Recomeçamos o jogo, e é aí que tudo começa de verdade.
Narrador como protagonista
O narrador guia a história como se já estivesse escrita.
Mas e se decidirmos ignorá-lo?
E se explorarmos por nossa conta?
O narrador reage a tudo o que fazemos:
- Se obedecermos, fica satisfeito.
- Se desobedecermos, mostra frustração.
- Se o ignorarmos completamente, quebra a quarta parede e questiona diretamente o jogador.
Inicialmente parece apenas uma voz que conta a história. Mas, com o tempo, o narrador começa a ganhar personalidade, emoções e até consciência da própria existência.
Percebemos que talvez nem ele tenha assim tanto controlo quanto pensa.
No fundo, o verdadeiro protagonista de The Stanley Parable não é Stanley, e sim, o narrador.
Jogabilidade
A jogabilidade é simples: caminhar, explorar e interagir com o cenário.
Mas são as escolhas que tornam tudo interessante.
Cada decisão pode levar a um final diferente, e há muitos. Alguns são cómicos, outros absurdos, outros inesperados.
O jogo incentiva constantemente a curiosidade. Queremos sempre experimentar algo diferente só para ver como o narrador vai reagir.
Essa dinâmica evita que a experiência se torne repetitiva.
Visual e Ambientação
O visual dos cenários é simples, mas eficaz.
Estes não servem apenas como decoração, eles reforçam o tom sátiro do jogo.
- Começamos num escritório vazio e monótono, que indica rotina e repetição.
- À medida que exploramos, os cenários tornam-se cada vez mais surreais e inesperados, passando a ideia de descoberta.
Passamos de uma rotina monótona, para a busca pela liberdade.
Som e Performance
O silêncio domina grande parte da experiência. Existem poucos efeitos sonoros e a banda sonora surge apenas em momentos específicos.
O grande destaque vai para a performance do narrador. A sua voz muda consoante as nossas ações:
- Formal e confiante quando sente que controla a situação.
- Frustrada ou irónica quando desobedecemos.
- Surpreendida quando fazemos algo inesperado.
O humor subtil e sarcástico do narrador dá vida ao jogo.
Os diálogos entre o jogador e o narrador são, sem dúvida, o coração da experiência.
Versão Ultra Deluxe
A versão Ultra Deluxe é mais do que uma simples remasterização.
Mais uma vez, o jogo satiriza a própria indústria dos videojogos, criticando relançamentos desnecessários e práticas que não beneficiam o consumidor.
Curiosamente, esta nova versão justifica a sua existência. Adiciona novos conteúdos, novos finais e mantém intacta a essência do jogo original.
Considerações finais
The Stanley Parable é uma sátira brilhante em forma de videojogo.
Critica o mundo do trabalho, a ilusão de liberdade nos videojogos e até a própria indústria, tudo através de humor inteligente e ironia subtil.
É curto, mas extremamente marcante.
Um jogo diferente que vale a pena experimentar.



