Solidão na Era Digital
Solidão. Todos já a sentimos em algum momento, mas poucos falam sobre ela.
A solidão surge quando nos afastamos emocionalmente das pessoas à nossa volta. Podemos estar acompanhados e, ainda assim, sentir-nos sozinhos.
Vivemos numa sociedade onde sentir-se sozinho se tornou cada vez mais comum. Apesar da tecnologia, das redes sociais e da comunicação instantânea, sentimos cada vez mais desconfiança, temos medo do contacto físico e receio de não corresponder às expectativas dos outros.
Existem muitas razões para isso: mudanças sociais, traumas e experiências negativas.
O isolamento é diferente.
Se a solidão é emocional, o isolamento é físico.
É o afastamento real das pessoas, seja por escolha, pela própria solidão ou por motivos de força maior. Um exemplo disso foi a pandemia de COVID-19.
Um Mundo Isolado
Em 2020, o mundo parou.
As ruas ficaram vazias. As cidades em silêncio. Ficámos fechados em casa, longe da família e amigos. A internet tornou-se a nossa principal forma de contacto.
Com o isolamento, veio também a solidão.
Curiosamente, meses antes dessa realidade se tornar global, um jogo já explorava esse cenário. Estou a falar de Death Stranding.
Adaptação num Mundo Sombrio
Tal como aconteceu durante a pandemia, no universo de Death Stranding a humanidade vive isolada devido a um evento catastrófico: a “Maré da Morte”.
Este fenómeno transformou o mundo exterior num espaço perigoso, hostil e imprevisível.
A humanidade foi obrigada a adaptar-se. As cidades deixaram de existir. As pessoas refugiaram-se em pequenos bunkers, espalhados pelo território, vivendo em comunidades isoladas.
E foi nesse mundo fragmentado que a ligação humana passou a ser mais necessária do que nunca.
Uma Ligação que nos Une
Para tornar essa ligação possível, foi criado um sistema de comunicação avançado: a Rede Quiral.
Através dela, torna-se possível comunicar, enviar dados, fabricar estruturas e produzir objetos. Desta forma, as comunidades deixam de estar totalmente isoladas e passam a integrar uma rede comum.
A Rede Quiral é uma metáfora clara da Internet, um sistema que nos permite comunicar instantaneamente com pessoas em qualquer parte do mundo. Mesmo fisicamente isolados, continuamos conectados.
Tanto a Rede Quiral e a Internet, são capazes de resolver a distância física. Permitem comunicar, partilhar informação e manter contacto.
Mas o que dizer da distância emocional?
A Solidão no Mundo em Conexão
Mesmo num mundo onde a ligação humana é essencial, há quem prefira manter distância. Esse é o caso de Sam Porter Bridges.
Marcado por traumas e medos do passado, Sam é uma pessoa física e emocionalmente isolada. Vive com desconfiança, evita proximidade e demonstra medo do contacto físico.
Mantém-se fechado, mesmo quando o mundo à sua volta tenta conectar-se.
Tanto o mundo como o próprio Sam enfrentam a mesma dificuldade: criar ligações reais.
Sam recebe a missão de conectar a América à Rede Quiral. Ao longo da sua jornada, enquanto liga comunidades, Sam começa lentamente a mudar.
Ao conectar comunidades, o mundo deixa de ser tão vazio e solitário. A cada pessoa que ajuda, Sam aprende a confiar, a aproximar-se dos outros e a aceitar que receber ajuda não é sinal de fraqueza.
A missão de Sam, reflete aquilo que ele mesmo precisava, criar ligações reais.
Reconstruir Ligações
Em Death Stranding, a humanidade foi obrigada a isolar-se e tentou reconectar-se através da tecnologia. Contudo, a reconstrução daquele mundo fragmentado não dependeu apenas da tecnologia, mas de pessoas que se permitiram aproximar.
A Rede Quiral tornou o mundo funcional. Mas foram as pessoas que o tornaram vivo novamente.
Durante a pandemia, também tínhamos a Internet. Conseguimos trabalhar, comunicar e manter o mundo a funcionar. Ainda assim, muitos continuaram a sentir-se emocionalmente sozinhos.
A Ligação Mais Importante
Hoje já não vivemos em confinamento. Já não somos obrigados ao isolamento físico.
Agora, temos a possibilidade de nos aproximar, de criar ligações reais e de oferecer ajuda quando necessário.
Para aqueles que se sentem emocionalmente isolados, saibam que não estão sozinhos.
As ligações constroem-se passo a passo.
Abrir o coração a alguém de confiança, pedir ajuda quando necessário ou abraçar quem amamos são pequenos gestos que podem quebrar o isolamento.
Num mundo cada vez mais digital, a conexão humana continua a ser a mais importante de todas.



