Os videojogos estão em constante evolução, e muitos dos géneros que conhecemos hoje nasceram de ideias que foram sendo refinadas ao longo dos anos.
Por detrás de cada género (soulslike, metroidvania, roguelike, RPG por turnos) existe uma história rica em criatividade, aprendizagem e evolução.
Esta série de artigos tem como objetivo explorar a origem e evolução de cada género dos videojogos: onde surgiu, o que o define, como evoluiu e quais os jogos mais marcantes. Cada artigo será uma viagem ao passado, mas também uma reflexão sobre o impacto que essas ideias têm no presente.
Neste primeiro artigo, vamos explorar um dos géneros mais influentes da atualidade: o metroidvania.
O género metroidvania surgiu da fusão de ideias introduzidas por dois grandes clássicos:
- Metroid
Castlevania: Symphony of the Night
Metroid, lançado em 1986 e desenvolvido pela Nintendo, surgiu numa altura em que a maioria dos jogos seguia uma estrutura linear, baseada em níveis.
No entanto, o jogo apresentou algo diferente: um mundo interligado, com várias áreas para explorar livremente.
Uma das suas maiores inovações foi o sistema de backtracking.
Mas o que é o backtracking?
Ao longo da exploração, encontramos áreas inacessíveis que exigem novas habilidades para serem ultrapassadas. Quando adquirimos essas habilidades, podemos regressar a essas zonas e desbloquear novos caminhos, segredos ou melhorias.
Apesar de, à primeira vista, poder parecer repetitivo, o backtracking, quando bem implementado, torna-se extremamente satisfatório. É a forma do jogo recompensar a curiosidade e a atenção do jogador.
Outro elemento marcante foi a ausência de orientação. Não existem indicações claras sobre para onde ir, dando total liberdade ao jogador para explorar ao seu ritmo. Esta abordagem criava uma experiência imersiva e pouco comum para a época.
Metroid teve um impacto profundo na indústria, ajudando a estabelecer novas formas de explorar e construir mundos nos videojogos.
Castlevania: Symphony of the Night, lançado em 1997 e desenvolvido pela Konami, pegou nessa base e levou-a mais longe.
O jogo apresenta um castelo interligado que pode ser explorado livremente, mas introduz um sistema de progressão inspirado em RPG: ganhamos experiência, evoluímos o personagem.
O backtracking continua presente, mas torna-se ainda mais recompensador, já que a aquisição de equipamentos e habilidades garante uma evolução constante do personagem.
O resultado é uma experiência mais rica e personalizável, onde cada jogador pode adaptar o seu estilo de jogo.
A combinação entre exploração, progressão e elementos de RPG tornou este título uma referência para o género.
No final, temos dois pilares:
Metroid, que introduziu a exploração e o mundo interligado
Castlevania, que aprofundou a progressão e personalização do personagem
Da união destas duas ideias nasceu o metroidvania.
O género metroidvania distingue-se por um conjunto de características que foram sendo refinadas ao longo do tempo:
1. Mundo interligado
Um mapa contínuo, onde todas as áreas estão conectadas e a progressão depende da exploração.
2. Progressão por habilidades
Novas áreas são desbloqueadas através de habilidades específicas, como salto duplo, dash ou novos itens.
3. Backtracking
O jogador revisita zonas anteriores para descobrir novos caminhos, segredos e melhorias.
4. Exploração
Há pouca orientação direta. O jogador é incentivado a explorar, experimentar e aprender.
5. Combate (variável)
Nem todos os jogos focam o combate da mesma forma. Alguns dão-lhe grande importância, enquanto outros privilegiam a exploração ou os puzzles.
Depois de estabelecida a sua base, o género manteve-se relativamente estável durante vários anos.
Foi com o crescimento da indústria dos videojogos independente que voltou a ganhar destaque.
Hollow Knight, desenvolvido pela Team Cherry, trouxe um combate mais refinado e exigente, aliado a um mundo vasto e interligado.
Por outro lado, Ori and the Blind Forest, da Moon Studios, destacou-se pela sua narrativa emocional, direção artística deslumbrante e uma abordagem mais cinematográfica.
Esta evolução mostra que, apesar de ter uma base sólida, o género continua aberto a novas ideias, estilos e interpretações.
Desenvolvedora: The Game Kitchen
Ano de Lançamento: 2019
Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch
Blasphemous apresenta uma identidade forte, com um visual sombrio e uma atmosfera perturbadora.
O combate é exigente e punitivo, recompensando a aprendizagem dos padrões dos inimigos.
Desenvolvedora: Team Cherry
Lançamento: 2017
Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch
Um dos maiores exemplos modernos do género.
Destaca-se pelo seu mundo vasto, combate desafiador e uma direção artística marcante.
Desenvolvedor: Thomas Happ
Lançamento: 2015
Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch
Inspirado nos clássicos, apresenta uma estética retro e mecânicas únicas como o sistema de “glitch”, que permite tornar inimigos em aliados e alterar o cenário do jogo.
O metroidvania é um exemplo claro de um género que atravessou gerações sem perder a sua identidade.
Assente em bases sólidas, continua a evoluir através de novas ideias e abordagens, mantendo-se relevante até aos dias de hoje.
E tu, já conhecias o género metroidvania?
Qual é o teu jogo favorito do género?
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